CET: o Número Que Mostra o Custo Real de um Empréstimo

Publicado por Letícia Souza em

Pessoa usando calculadora financeira para planejar economia e investimentos

Duas propostas de empréstimo de R$ 20.000 em 24 meses chegam pra você. A primeira anuncia juros de 2,3% ao mês. A segunda, 2,6% ao mês. Sem pensar duas vezes, a maioria escolhe a primeira só pelo número menor. E é exatamente aí que muita gente perde dinheiro sem perceber.

Na proposta de 2,3%, existe uma tarifa de cadastro de R$ 600, um seguro prestamista de R$ 45 por mês e uma tarifa de avaliação de R$ 350. A proposta de 2,6% não cobra nada disso. Quando todos os custos entram na conta, o Custo Efetivo Total da primeira sobe pra perto de 3,1% ao mês, enquanto o da segunda fica em torno de 2,7%. A proposta que parecia mais barata acaba custando mais ao longo dos 24 meses (os valores aqui são exemplo, cada instituição monta o pacote de um jeito, mas o mecanismo é sempre esse).

O que é o CET

CET quer dizer Custo Efetivo Total. É um percentual que bancos e financeiras no Brasil são obrigados por lei a informar, somando a taxa de juros a todos os outros encargos que vêm junto do crédito. Em outras palavras, o CET não responde “quanto de juros eu pago”, responde “quanto esse crédito custa de verdade, contando tudo o que sai do meu bolso”.

A taxa de juros sozinha aparece em destaque na propaganda porque costuma ser a parte mais baixa e mais fácil de comparar de cabeça. O problema é que cada instituição monta o resto do pacote do jeito que quiser, dentro do que o Banco Central permite, e é nessa liberdade que a diferença se esconde.

O que costuma entrar no CET

  • A taxa de juros nominal do contrato
  • Tarifas administrativas, como cadastro, abertura de crédito ou manutenção
  • Seguros vinculados ao empréstimo, principalmente o seguro prestamista
  • Tarifa de avaliação do bem, quando há garantia envolvida (carro, imóvel)
  • Impostos como o IOF
  • Comissões de correspondentes bancários, quando existem

Por isso duas propostas com a mesma taxa de juros anunciada podem ter CETs bem diferentes, e duas propostas com taxas diferentes podem custar quase o mesmo no fim, ou até se inverter, como no exemplo acima.

Como usar isso na hora de comparar

  1. Peça o CET por escrito, em percentual ao mês e ao ano, e desconfie de qualquer proposta que mostre só a taxa de juros sem esse número junto. É obrigatório informar.
  2. Confira se o prazo e o valor financiado são iguais nas propostas comparadas, porque o CET só funciona como régua justa quando a base é a mesma.
  3. Pergunte se o seguro é obrigatório ou opcional. Seguro embutido sem necessidade real é um dos maiores responsáveis por inflar o CET escondido.
  4. Decida pelo CET, não pela taxa de juros isolada.
  5. Use o comparador de crédito do Banco Central pra ter uma referência do que é praticado no mercado.

O CET retrata o custo do crédito naquele momento, com aquelas condições específicas. Mudar o prazo, o valor ou até o resultado da sua análise de crédito altera o número final.

Da próxima vez que uma proposta de crédito chegar, seja de banco, financeira ou loja, procure primeiro o CET, geralmente escrito em letra menor logo abaixo da taxa em destaque. Coloque as propostas lado a lado por esse número, não pelo juro anunciado, e só então decida.

O conteúdo acima tem finalidade informativa. Decisões de crédito relevantes merecem a análise de um profissional certificado, que pode olhar sua situação com mais detalhe do que um texto genérico consegue.


Letícia Souza

Consultora financeira com experiência em planejamento pessoal, crédito e mercado de trabalho. Escreve sobre finanças e carreira no Suco Dieta com foco em conteúdo prático, claro e responsável, sempre recomendando a orientação de um profissional certificado para decisões financeiras importantes.